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Poesia ( cont.)


FUI PASTORA                                             

Em tempos fui pastora.
Eu era livre correndo descalça pelos montes e pastos verdejantes tendo o vento como companhia.
Eu despia o meu manto de pastora, para sentir a vida de minha mãe a terra, invadir o meu corpo livre.
O meu rebanho era lindo.
Eu brincava ao seu lado.
E cansada deitava-me sobre a erva fresca, encostando a minha cabeça numa pedra, esperava que o meu rebanho se alimentasse e enquanto eu contemplava o sol no horizonte, ficava até que os meus olhos se fechassem, ouvindo somente o meu ser interior cantar ao som de uma flauta vinda do Céu.
Quando o Sol adormecia os meus olhos se abriam.
Ao meu redor estava o meu rebanho, beijando as minhas mãos, lembrando-me que era tempo de voltar.
E então eu caminhava, voltando para o recolher do meu rebanho acompanhada das minhas ovelhas, das minhas cabras, da minha vida de pastora.
Sentindo o calor dos seus corpos eu adormecia acompanhada do som da flauta e da música que alguém do Céu me oferecia.

© 2007 Celeste Saiedi


CONTIGO                                               

Contigo eu estarei sempre que ouvires o rouxinol cantar.
Contigo eu estarei quando olhares o sol esconder-se no horizonte.
Contigo estarei sempre que o teu suspirar por mim chamar.
Contigo eu viajarei nas asas do vento.
Contigo no meu pensamento irei até áquele lugar só nosso.
Contigo eu quero chorar, rir cantar, sentir frio e na luz do teu olhar ficar.
Contigo eu quero amar.
Contigo partirei, e juntos caminharemos na continuação daquele sonho só nosso que em silêncio aqui construímos.
Contigo e só contigo eu quero continuar no outro lugar.
E novamente outro princípio tu comigo e eu Contigo.

© 2009 Celeste Saiedi



A PONTE                                                

Constrói a tua própria ponte caminhando e sentindo a mudança.
Sente a beleza interior que existe em ti.
Olha para todos os seres como sendo uma parte de ti.
Ouve o cantar de uma ave e tenta entendê-la.
Admira a natureza procurando nela o teu equilíbrio interior.
Procura nas estrelas do céu o cintilar do olhar da noite.
Caminha na terra sentindo o Amor sair das suas profundezas entrando no teu ser.
Ora ao Universo e sente a transformação em ti.
Desliza nos galhos da árvore da tua vida, sarando os momentos menos bons com amor.
Entra na ponte passando... esquecendo quem foste e olhando em frente.
Sente a diferença ao começo do aproximar ao outro lado, aceitando o teu novo estado interior.

© 2007 Celeste Saiedi


ROSA SEM ESPINHOS                                        

Acordei ao som do vento que na vidraça da janela do meu quarto batia.
Levantei-me e a janela abri.
Senti a sua presença.
E encostada ao parapeito da janela fiquei.
As minhas mãos ergui sentindo o vento.
O cheiro da noite me envolveu e mais uma vez a sua presença era real.
Fechei os olhos e deixando envolver-me num abraço aconcheguei-me.
E foi então que abraçados sobre o parapeito da janela do meu quarto recordámos o caminho que percorremos até este novo encontro.
E muito baixinho falei-lhe de mim desde que parti.
Por muitos fui ouvida, por outros não, em cada caminho que entrei, nem todas as portas se abriam.
E em cada uma que se abria era a tua mão que eu via estendida para mim, deixavas cair aos meus pés um pouco do teu Amor Divino.
Era tudo o que me oferecias, e eu curvando o meu corpo por vezes cansado pegava nesse amor alimentando-me.
Contei-lhe então que deste alimento nascera o nosso acordo.
Senti o seu abraço mais forte envolver o meu corpo.
O sino da igreja tocou cinco vezes.
E o seu percurso contou-me.
Nas portas que batias e se abriam tu vias-me, aceitando-te.
Nas outras eu também estava ajudando quem as fechava a aceitar-te.
Abri os olhos e vi a madrugada entrar no meu quarto.
Sobre o parapeito da minha janela deitada estava uma rosa sem espinhos.
Contei as suas pétalas eram cinco.
Olhei o Céu e nele vi o seu eterno olhar.

© 2007 Celeste Saiedi


A ALEGRIA FICOU                                      

Chovia quando passei à tua janela.
O teu rosto vi através da vidraça.
O teu olhar era triste e num aceno com a tua mão me saudaste.
No teu lindo rosto a tristeza vivia.
Eu parei e no meu sorriso a alegria te enviei.
A chuva parou e o sol, a tua janela abriu.
Num sopro me enviaste um beijo.
E contigo fiquei.

© 2007 Celeste Saiedi


PAZ DE AMAR                                         
 
Amor.......é sentir o vento e dançar ao som da flauta.
Amor.......é ensinar alguém a voar sem asas.
Amor.......é ensinarmos  a nós mesmos a amarmos tudo o que temos dentro do nosso ser.
Amor.......é olhar no espelho e gostar do que vemos de nós.
Amor.......é deixar na terra a semente do nosso ser.
Amor.......é ouvir o som do mar na sua margem.
Amor.......é ouvir a água a correr no nosso próprio silêncio.
Amor.......é dançar ao som dos nossos passos.
Amor.......é amar, amar, num nunca acabar.
Amor.......é olhar uma flor e sentirmos a sua beleza dentro de nós.
Amor.......é sentir o tempo passar e aceitá-lo da maneira mais sublime.
Amor.......é saber brincar com a criança que há em nós.
Amor.......é olhar a lua e as estrelas e agradecer à noite a sua companhia.
Amor.......é sentir o nosso próprio abraço.
Amor.......é amar o anjo que existe em nós.
Amor.......é olhar o infinito e agradecer ao Universo o que os nossos olhos alcançam.
Amor.......é sentir a paz de amar.

 © 2006 Celeste Saiedi


DO OUTRO LADO DO OCEANO                               

Esses seres amorosos que o meu coração lembra a cada instante do dia.
Os anos correm no tempo sem fim e eles sempre no pensamento do meu ser.
E de tão longe falam da palavra saudade que o nosso sentir não esquece os poucos momentos mas lindos em que a amizade cresceu unindo em laços de um nó apertado de Amor que a distância não desenlaça.
Galhos da minha vida em que o tempo da espera de os vêr não quebra.
Nem tu Oceano nos separas desta eterna e abençoada amizade.
Quando me perco nos meus sonhos pergunto ao Universo em que vidas passadas nos uniu.
Oiço um cântico divino sentindo-os mais perto de mim.
Vendo-me sentada nos tempos passados de mãos estendidas aceitando um pedido de Amor Maior.
As lágrimas da saudade surgem num olhar distante que se perde no horizonte de um ecrã lendo as mensagens vindas do outro lado do Oceano.

© 2006 Celeste Saiedi


ALMAS GÉMEAS                                      

Não existe tempo, distância, caminhos nem desencontros que nos separe.
O teu olhar é o meu.
Teu sentir é nosso.
Juntas olhamos o céu envolvidas na noite em que o Luar é nosso, pedindo o mesmo.
Não precisamos falar, porque o nosso silêncio interior se entende deitados na madrugada.
Esta minha alma não sei se é tua se minha.
Quando a tua oiço sou eu.
Almas nascidas de um só parto Divino em que o Amor é pai e mãe.
Almas gémeas que num só olhar se reencontram. 

© 2007 Celeste Saiedi


AO MEU AMOR                                      

Quando eu olho para dentro de mim e não te encontro, o meu ser chora.
Quando penso em ti, não chega.
Quando estás longe de mim, eu não sou eu.
Quando o meu ser interior te ouve, mesmo ao longe, ele cresce
Dentro de mim, correndo para ti, deixando-me.
O tempo que passou, alimentou este ser que em mim cresce e a
Todo o momento se alimenta de ti.
Tu.....és o seu alimento.
Tu.....és ele
Tu....és o ninho que ele teima em ti continuar a crescer.
Tu, ...tu, ...é sempre o que eu oiço dentro dele
Meu     amor.

© 2006 Celeste Saiedi


EU SOU TUDO                                          

Foi para lá do horizonte que eu te encontrei.
O teu rosto não conheci.
Lembro-me dos teus cabelos negros que eu quis tocar, mas o vento não deixou elevando o teu cabelo no sentido do caminho a seguir.
Sei que pediste ao tempo para me ensinar a calma e a sabedoria da espera.
Caminhei no tempo subindo serras, entrando em bosques, atravessando rios, seguindo sempre o teu ser. Até aos céus subi. Então aí descansei deitando-me sobre uma nuvem e sentindo a tua presença, nos teus braços adormecia, ouvindo-te segredar junto ao meu coração dizendo-me:
Levanta-te e continua porque o meu amor é infinito.
Eu caminho sempre ao lado de todos os seres.
O meu ser toma qualquer dimensão para me fazer sentir dentro de qualquer ser.
Posso ser a flor que tu tocas.
Posso ser o ar que tu respiras.
Ou até a luz que os teus olhos vêem ao acordar de uma noite.
Eu também adormeço e acordo dentro de todos os seres.
Eu sou amor, paz, emoção, fogo, frio, lágrimas de felicidade, água, vento, terra, o teu caminho, a tua escolha.
Eu sou a música que tu escolhes ouvir para a tranquilidade da tua mente.
Eu corro nas lágrimas de qualquer dor de perda ajudando-te.
Eu sou ele.
Eu sou quem nos séculos do tempo que passou continua a renascer em todos os seres que ainda não conhecem o caminho até mim.
Até mesmo na partida naquele último instante, eu sou quem vos estende a mão ajudando-vos mais uma vez no caminho que novamente escolherem.

EU SOU TUDO

© 2006 Celeste Saiedi


ESTAVA À TUA ESPERA                                

Quando os nossos olhares se cruzaram, falaram reconhecendo-se.
Os nossos seres sentiram-se crianças outra vez.
E num crescimento da paixão, eles saíram de nós abraçando-se, deixando no ar o bálsamo de tempos já vividos.
E não querendo sentir novamente a hora do adeus, eles se escondem como crianças vivendo o seu primeiro amor.
E nós... simples espectadores ficamos em plena quietude, deixando que eles fiquem um pouco mais.
Como é bom estar apaixonado.
Os dias são curtos e as noites longas demais.

© 2006 Celeste Saiedi


QUANDO O AMOR FALA                                  

Quando vocês voltaram eu estava presente.
Eu estendi as mãos e no vosso pequeno ser eu peguei.
Quando vocês choraram pela primeira vez eu vos amei.
Quando vocês decidiram aprender eu vos ensinei. 
Quando deram o vosso primeiro passo eu caminhei ao vosso lado.
Quando vocês levantavam o vosso rosto e sorriam era para mim que o faziam.
Quando vocês se sentem sós eu sento-me ao vosso lado, e em silêncio eu vos oiço.
Quando quiserem saber a minha morada é só olharem para dentro de vocês mesmos, e sentirem-me.
É aí que eu moro.
O meu nome é aquele de quem vocês tanto falam mas que teimam em apagar do vosso ser..

                                                                                   eu.....
                                                                                 sou o ...          Amor 
© 2006 Celeste Saiedi

NAS PEDRAS DO CAMINHO                                

Quando eu caminho já cansada eu te sinto ao meu lado.
Quando o vento sopra no meu rosto oiço-te falar dizendo-me o quanto o teu amor é grande e Divino por mim e por todos os que comigo caminham.
Quando eu caminho e olho as pedras, eu te vejo em todas elas sentado dando-me a força para o crescer deste Amor Divino que eu sinto no ar que respiro.
Quando eu olho as árvores e as vejo embaladas pelo teu sopro de Luz que tu envias com todo o amor de Pai eu me sinto amada.
E eu que não me canso de pedir mais e repartir com todos que no caminho encontro.
Quando tu Divino te cruzas a todo o instante comigo eu cresço e me estendo no caminho da vida olhando para trás e te vejo curvado apagando as minhas pegadas.
E eu me sinto novamente num novo caminho por ti aberto em que tu o iluminas para o renascer de um novo encontro.


© 2007 Celeste Saiedi



PAI ETERNO                                           

Quando eu acordo abraçada a este  amor  divino, que  o  universo   me envia  de  outro mundo,  onde o  amor  abunda e  os  seres  se amam  tanto, que  o amor transborda e viaja até mim, eu reparto contigo e  juntos  sentimos  a luz  da vida   que não  se quer apagar  mas sim  continuar  acesa  nos seres que  se dispõem  abraçar  o mais  sublime  sentimento  que
alimenta  o universo  e  que tu  Divino com  toda  a tua grandeza não  adormeces nem  de  noite nem de dia  para que nós teus  filhos continuemos  a  ser amados por ti Pai Eterno.

© 2006 Celeste Saiedi


TU MESMO                                                  

Quando a chuva cai e corres recolhendo o teu corpo no vão de uma escada, eu aproveito para de dentro de ti sair, despindo-me do corpo que escolhi e perante os teus olhos físicos eu rolo na terra, envolvendo-me nesta água abençoada que o universo te envia e que tu desejas
não acabar.
Eu brinco como uma criança na frente de sua mãe tentando contar as gotas que junto dos teus pés caiem.
Vejo o teu rosto sorrir, deixando-me levar por esta corrente divina sobre as pedras de uma calçada que tu não sentes.
Quando regresso para ti, tu desprendes-te do conceito humano, e começas a caminhar descalço sentindo a diferença de seres tu mesmo.

© 2006 Celeste Saiedi


ESTE SER                                              

Quando na noite escura acordares e te sentires só,
pensa em mim.
Quando o amor te abraçar,
pensa em mim.
Quando o teu ser interior pedir amor,
pensa em mim.
Quando os teus olhos me procurarem,
eu estou em tudo o que eles olharem.
Quando quiseres amar,
pensa em mim.
Quando o teu coração se abrir,
pensa em mim.
Quando as tuas mãos me procurarem,
pensa em mim.
Quando tu decidires caminhar,
pensa em mim.
Quando te sentires amado,
eu estou dentro de ti. 
Pensando em ti.

© 2006 Celeste Saiedi

ETERNO AMOR                                          

E tu que dizes gostar de mim. E em mim não acreditas.
Quando eu te toco tu paras para me sentir
Sente-me acreditando em mim
Sente-me aceitando-me 
Eu vivo num constante crescimento dentro de ti.
Quando em ti adormeço eu entro nos teus sonhos e de mãos dadas viajamos num mundo de luz.
O teu ser e eu somos um só, numa fusão divinal.
E deste sonho não queremos acordar jamais.
O universo nos faz lembrar que a missão deste Amor é eterna, mesmo depois do acordar.

© 2006 Celeste Saiedi


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